Uma newsletter sobre newsletters

Bem vindos ao museu de grandes novidades que é 2021


Newsletter enviada em 17 de maio de 2021


Se você cria conteúdo para a internet certamente já xingou o algoritmo. Não importa a qualidade daquilo que produzimos, o conteúdo simplesmente parece não chegar na nossa audiência. E não chega mesmo, especialmente se você, assim como eu, se recusa a criar mais do mesmo: afinal de contas, o algoritmo das redes sociais é "treinado" para mostrar aos seus usuários coisas semelhantes àquilo que eles já vêem, ou seja, não é à toa que sua timeline parece ser um loop infinito de vídeos estilo TikTok.

Nadando na contramão dessa corrente estão as newsletters, um meio de comunicação nada novo mas que causou um buzz recente, especialmente depois que uma leva de jornalistas de grandes veículos como o The New York Times pediu demissão para criar seus próprios canais de "e-mails por assinatura". Uma matéria do próprio NYT, de setembro de 2020, explica:

"A plataforma atrai alguns jornalistas em parte porque o mercado das mídias de notícias está em declínio. De 2004 a 2019, mais ou menos a metade dos empregos em jornais nos Estados Unidos foram eliminados, de acordo com um estudo da Universidade da Carolina do Norte, e mais de 30.000 jornalistas no país [EUA] foram demitidos, afastados ou tiveram seus salários reduzidos durante a pandemia do coronavírus." (Achei o título da matéria interessante: Jornalistas estão deixando a barulhenta internet pela sua caixa de entrada.)

A plataforma a que o artigo se refere é o Substack, que se autodeclara como "um local para a escrita independente", onde você é cobrado uma pequena mensalidade para receber newsletters periódicas dos seus escritores preferidos. Se as newsletters (dentro ou não de plataformas como o Substack) colaboraram para que jornalistas criassem seus próprios espaços de diálogo direto com seus leitores (e fãs!) dentro de um cenário de transformação dos meios de comunicação, é claro que poderiam fazer o mesmo para os criadores de conteúdo na guerra contra aquele inimigo matemático invisível.

O raciocínio da newsletter é bastante simples e baseado, quase que puramente, no interesse: você assina uma newsletter porque quer (ou seja, se interessa pelo tema e/ou por quem está escrevendo), o e-mail vai sempre chegar na sua caixa de entrada e você clicará nele se você quiser (entrando aqui as variáveis do copywriting, como um título interessante, que ficam sob responsabilidade exclusiva de quem escreve). Ou seja, não há Zuckerberg que mande nas minhas love letters e nem em você, caro leitor do outro lado da tela, que decidiu se inscrever e clicar neste e-mail por conta própria (e por isto, agradeço).



Resumidamente, neste museu de grandes novidades que é 2021, onde nos informamos pelo rádio (alô, podcasts!) e escolhemos nos aprofundar em certos temas através de e-mails, uma boa newsletter pode ser o caminho para criar, fidelizar e engajar comunidades. A possibilidade de otimizar e controlar o conteúdo é capaz de gerar altas taxas de abertura, incomparáveis com quaisquer taxas de alcance de rede social: Ótimas newsletters chegam a ter taxas de 80% de abertura (pessoas que abriram o e-mail para ler), enquanto o percentual orgânico de alcance de uma conta no Instagram é de, em média, 10% (com dados de 2018). Te convenci? Caso você ainda queira saber mais sobre o tema, recomendo este episódio do Braincast (um dos meus podcasts preferidos), cujo título resume bem isso tudo:

Newsletters: uma velha mídia para um novo jornalismo

As newsletters têm se tornado uma alternativa viável e rentável pro chamado novo jornalismo. Claro que empreitadas jornalísticas assim não são exatamente novidade, inclusive no Brasil, mas a ascensão do Substack tem acirrado o mercado, criando um fluxo migratório de jornalistas e colunistas da mídia tradicional, que abandonam a suposta estabilidade do emprego em grandes redações para se aventurarem no modelo de envio de emails por assinatura.

Agora me conta: quantas newsletter você tem lido? Sua marca e/ou perfil pessoal envia newsletters periodicamente? Como tá a disposição para criar para mais um meio diferente? Aliás, para fins de pesquisa de qualidade e autocrítica (sempre), o que tem achado das love letters até aqui? Tem algum tema para sugerir? Todo feedback é bem vindo e, para isto, basta responder este e-mail. Até semana que vem!

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