"Eu sabia que havia algo para mim ali, algo muito pessoal, relacionado à descoberta de quem eu sou, que eu precisava viver e entender."

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Itália, 2018

Atualizado: 14 de abr.

Eu tinha acabado de conhecer uma pessoa e aquela seria a primeira viagem que faríamos para nos reencontrar depois de apenas 24 horas juntos, 3 meses antes. No dia 29 de dezembro, desembarquei pela primeira vez na vida em Londres, e ali passei o Ano Novo com aquele não-tão-estranho naquela cidade que sonhei conhecer quando adolescente. Subimos o The Shard no primeiro dia de 2018 - é uma daquelas coisas que você simplesmente não esquece. Nos dias seguintes, ele voltaria para o norte da Inglaterra para o casamento da irmã - me lembro de querer muito ir também, mas não havia intimidade o suficiente ainda - e eu seguiria o rumo da minha viagem. Eu sempre gostei de viajar sozinha e já tive a oportunidade de ver alguns lugares dessa forma, mas ali, naquele momento, eu queria a companhia dele. Estava apaixonada pela primeira vez depois de um término ruim, e aquela sensação de descobrir o mundo e uma pessoa nova depois de um período de sofrimento era simplesmente inebriante. Eu queria muito viver aquilo, mas seguimos nossos caminhos separados. Então, depois da Inglaterra, desembarquei na Itália.




Roma, Aeroporto di Ciampino, janeiro de 2018.

Faltavam apenas alguns dias para o meu aniversário de 25 anos. Desembarquei na cidade no final do dia, e fui recebida pelo pôr-do-sol mais bonito que já vi na vida. Acho que meu encantamento começou ali, no minuto em que coloquei os pés para fora do avião e vi aquele céu cor de rosa. O combo estava feito: eu tinha recém-visitado o cara que eu gostava, numa cidade nova, e agora estava ali em Roma, sozinha, prestes a descobrir um outro lugar pela primeira vez. Eu estava feliz. Simples assim. Os anos anteriores tinham sido difíceis e aquilo parecia um recomeço. Eu estava com sede de viver aquela vida.

Pra minha própria surpresa, apesar de achar que sem a presença daquele amor novo a viagem não seria tão interessante, fui preenchida pela alegria pura e simples de estar em uma cidade tão linda quanto Roma, curtindo minha própria companhia, me sentindo viva e com o mundo inteiro à minha frente. Eu achei que estava me apaixonando por alguém (e estava, de fato), mas ao mesmo tempo eu estava me apaixonando por um país. E ali começava a minha história de amor, não com aquele cara, mas com a Itália.



Os dias seguintes foram de diversão absoluta. Dei meu primeiro PT da vida depois de brincar de flip cup (o tipo de coisa que se faz quando você tem 25 anos) no bar do albergue em que estava hospedada. Bebi tanto jungle juice (uma mistura de vodca com frutas como laranja) que tive que ser carregada de volta pro quarto por duas pessoas (um deles, um estranho americano de quase 2 metros de altura que carregou minha bolsa a tiracolo o tempo inteiro porque, apesar de bêbada, eu não parava de repetir que não podia perder meu passaporte nem minha carteira. Um anjo, absolutamente - ainda somos amigos no Facebook, mas com o tempo perdemos contato). E aqui vai um spoiler sobre o jogo: se você perde uma rodada uma vez e tem virar um copo cheio de vodca, você provavelmente vai ficar bêbado o suficiente para perder todas as rodadas seguintes e nunca vai se recuperar na disputa. Foi o que aconteceu comigo.

Fora os momentos de caos e bebedeira (acreditem ou não, naquele momento da minha vida até isso era novidade para mim), eu caminhei por toda Roma encantada com cada esquina daquele lugar. Fui ao Vaticano, vi a Capela Sistina, e naquele lugar senti uma imediata conexão com o meu pai, o que de certa forma também era um pouco de novidade. Enviei postais direto do Vaticano para ele e para os meus avós, e fiquei feliz em poder fazer aquilo porque sabia que eles iriam valorizar muito. Me lembro de ter comido um prato de pasta na Piazza San Pietro e de ter demorado muito pra entender o cardápio. Naquela época eu não sabia nada sobre a maneira como os italianos comem, i primi e secondi piatti, e a única palavra que eu sabia dizer era grazie. Mas não importava. 2 dias antes do meu aniversário, comprei um par de sapatos numa liquidação da Aldo e fiquei carregando aquela caixa pelo resto da viagem - eu só usei aqueles sapatos uma vez na vida de tão altos que eram, mas naquele momento me pareciam especiais. Até hoje não consigo usá-los, mas tem valor sentimental o suficiente para eu nunca me desfazer deles.



A Itália toda foi especial. Era um momento especial da minha vida. De alguma forma eu sabia que quatro dias não seriam suficientes para entender aquilo que eu estava sentindo. Eu sabia que havia algo para mim ali, algo muito pessoal, relacionado à descoberta de quem eu sou, que eu precisava viver e entender. Eu só não sabia como. Naquele período da minha vida, fui e voltei para a Inglaterra algumas vezes, e apesar de ter pessoas que eu amava lá eu nunca senti uma conexão com o lugar como eu tinha sentido na Itália. Mas até aquele momento eu também não entendia muita coisa sobre mim, e só pensava que tinha me encantado com um lugar novo porque estava de férias e feliz. Até que, em setembro do mesmo ano, quase que por acaso, fui parar em terras italianas de novo. Mas esse é um assunto para a próxima semana.

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Um breve disclaimer: todas as minhas fotos da viagem de 2018 estão em um HD no Brasil, por isso usei fotos de 2022 para ilustrar essa news. Os prints dos stories que também estão aqui são de setembro de 2018, e não de janeiro. Foi a segunda vez que estive na Itália, tema da newsletter da próxima semana. Aparentemente o Instagram não guarda arquivos de stories com mais de 3 anos e meio. Uma pena, pois tenho fotos do céu rosa, das minhas caminhadas por Roma e até dos sapatos em questão, mas quem sabe compartilho com vocês em algum outro momento, quando estiver com o HD em mãos. Até lá, deixo a cargo da imaginação de vocês.

Até semana que vem,

S.

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